Masaya Tokuhiro


Uma paixão pelo mangá que une mestre e discípulo!

Uma conversa entre Eiichiro Oda e o artista de mangá que ele considera seu mentor, Masaya Tokuhiro! Vamos ouvir Tokuhiro Sensei descrever seu pupilo como um jovem artista transbordando ambição para ser grande. Eiichiro Oda afirma que “aprendeu muito e absorveu muitas coisas”. Afinal, qual foi o espírito profissional que ele herdou de seu mentor?!

Moderador: Desta vez, convidamos o mentor de Oda Sensei, Masaya Tokuhiro Sensei, para um bate-papo!

Oda: É muito bom revê-lo depois de tanto tempo. Acho que faz uns vinte anos desde que nos encontramos pessoalmente pela última vez. O senhor realmente não mudou nada desde então.

Tokuhiro: Não mudei absolutamente nada.

Oda: Estávamos trocando alguns e-mails depois que esta entrevista foi marcada, e o senhor disse uma coisa terrível (risos). Disse: “Como você foi meu assistente, agora a única coisa que as pessoas querem conversar comigo é sobre isso e aquilo de One Piece. Que saco!” (risos)

Tokuhiro: Quando vou à academia, tentam me fazer perguntas sobre você. Ninguém mais quer conversar comigo de verdade.

Oda: Sinto muito por isso. Mas sabe, o senhor poderia simplesmente dizer a eles: “Eu ensinei tudo o que ele sabe”. O senhor sempre foi o tipo de pessoa que diz tudo o que pensa, seja algo bom ou ruim. É por isso que as pessoas confiam no senhor.

Tokuhiro: Ah, não é bem assim.

Oda: É, sim! Todos nós que trabalhamos como seus assistentes o admiramos muito.

Tokuhiro: Bem, os únicos alunos meus que conseguiram se estabelecer como artistas de mangá foram MitsuyoshiMitsuyoshiKenji Mitsuyoshi, um antigo assistente de Tokuhiro Sensei que atualmente é um artista no mangá Ark Permonance. Conhecido por séries como Arpeggio of Blue Steel e Mobile Suit Gundam MSV-R: The Return of Johnny Ridden. e você. É um ramo difícil de se destacar.

Oda: Mitsuyoshi era muito bom. Ficava de queixo caído vendo-o trabalhar. E hoje ele é um artista ainda melhor do que naquela época. Ele me disse que também queria revê-lo.

Tokuhiro: Hoje em dia, a única coisa que trocamos são cartões de Ano-Novo. Mas todos os meus antigos alunos me enviaram cartões todos os anos durante quase duas décadas, contando tudo o que estão fazendo. É bom ouvir essas histórias.

Moderador: O senhor se lembra da primeira vez em que vocês se encontraram?

Tokuhiro: Lembro, sim. Oda, você ainda era só um garoto.

Oda: Eu tinha dezenove anos. Havia abandonado a faculdade depois do primeiro ano e acabado de chegar a Tóquio.

Moderador: Então, a primeira coisa que você fez depois de chegar a Tóquio foi trabalhar como assistente de Tokuhiro Sensei?

Oda: Não. Durante o primeiro mês, fui assistente de Kaitani SenseiKaitani SenseiShinobu Kaitani, artista de Sommelier, One Outs, Liar Game, e outros.. Depois, meu editor, o senhor Kushima, perguntou se eu queria trabalhar com Tokuhiro Sensei.

Tokuhiro: Isso mesmo. Naquela época, Kushima era meu editor.

Oda: Quando os editores trabalham com novos artistas e querem lhes proporcionar alguma experiência profissional, eles os encaminham para trabalhar como assistentes de outros artistas de mangá com quem trabalham. Esse é o primeiro passo para qualquer artista iniciante. Há muita, muita coisa que se pode aprender nesse ambiente de trabalho, especialmente quando se trata de um artista consagrado. Mas eles geralmente já têm seus próprios assistentes fixos, então é difícil encontrar uma vaga para você. Por isso, tive muita sorte de conseguir entrar no seu estúdio tão rapidamente, Sensei.

Tokuhiro: E, depois de terminar lá comigo, você foi trabalhar com WatsukiWatsukiNobuhiro Watsuki, artista de Samurai X, Buso Renkin, Embalming, e outros.., certo?

Oda: Sim. Depois do fim de Jungle Tar-chanJungle Tar-chanUma série que foi publicada na Weekly Shonen Jump de 1988 a 1990. Depois disso, mudou o título para New King of the Jungle Tar-chan e foi publicada até 1995. A série original tinha um formato curto de comédia com sete páginas por capítulo; mas a nova série a quantidade de páginas foi aumentada e se tornou mais orientada a história. As cenas poderosas de combate ganharam a aclamação dos leitores. Virou anime em 1993. Oda Sensei disse 'Há duas cenas que eu realmente amo nessa série. Uma é quando Jane usa uma camiseta do Michael Jackson, mas estica até ele se parecer com o lutador de sumô Konishiki. A outra foi quando ele derruba um pote de pílulas e um antílope faz cocô em cima delas. Depois, ele recolhe os comprimidos e os coloca de volta no frasco, mas não percebe que ele ficou mais cheio que antes. Achei genial.', fui para o estúdio de Watsuki Sensei. Então o senhor me chamou de volta, dizendo: “Vou começar uma nova série”, e voltei para ajudar até o fim de Water Fried Kappaman.

Tokuhiro: Então você passou mais tempo comigo.

Oda: É verdade, e aprendi muita coisa com o senhor. Gostaria de falar mais sobre isso depois, mas, quando os assistentes chegavam ao estúdio para trabalhar, os desenhos a lápis já estavam prontos. Ao passar por cima dos seus traços para desenhar os cenários, percebi a enorme diferença de expressão entre o seu trabalho e o meu. Naquela época, eu nem sequer entendia conceitos básicos, como desenhar os detalhes mais próximos com traços mais grossos e os detalhes distantes com traços mais finos. Aprendi muita coisa naquele trabalho.

Tokuhiro: Mesmo assim, você já sabia fazer tudo.

Oda: De jeito nenhum! No estúdio de Watsuki Sensei, disseram: “Você já domina os fundamentos”, mas isso só aconteceu porque eu havia aprendido muita coisa no seu estúdio.

Tokuhiro: Então Watsuki foi seu grande mentor, e Kaitani foi seu primeiro mentor. Acho que isso faz de mim… seu boob mentorboob mentorNão faço a menor ideia de como traduzir isso. Não sei se ele quis dizer que era o 'mentor do meio' e fez um trocadilho ou se está falando isso porque ensinou ele a desenhar peitos.

Oda: O senhor não é meu boob mentor. É meu grande boob mentor (risos).

Tokuhiro: Do meu ponto de vista naquela época, você era como o único garoto inexperiente no meio de todos os outros.

Oda: Você e os outros assistentes eram muito mais velhos, então tenho certeza de que isso me fazia parecer ainda mais jovem.

Tokuhiro: Mas você se divertia lá no estúdio, não é?

Oda: Era muito divertido.

Tokuhiro: Depois de terminar cada capítulo, saíamos todos para comer sushi ou beber em um izakaya. Eu e mais uma pessoa bebíamos, enquanto você e outra pessoa não podiam beber, então comiam sushi, sashimi ou qualquer outra coisa.

Oda: Também me lembro disso. Era algo pelo qual esperávamos toda semana.

Tokuhiro: Você era a pessoa mais animada. O animador do grupo. Depois que parou de trabalhar como assistente, começou One Piece imediatamente?

Oda: Não, houve um pequeno intervalo antes de começar.

Tokuhiro: Mas você já tinha a estrutura de One Piece na cabeça enquanto trabalhava como assistente.

Oda: Bem, lembro que falava muito, como se fosse capaz de fazer coisas grandiosas (risos).

Tokuhiro: Naquela época, havia um sebo perto do estúdio. Fomos lá juntos uma vez, e você comprou um volume usado de um mangá sobre piratas. Eu percebia que você já estava se preparando para realizar as ambições que tinha em mente. E tudo deu certo, então deve ser muito gratificante.

Oda: É verdade, acho que sim. O problema é que me lembro de algumas coisas muito grosseiras que disse ao senhor naquela época. Eu disse: “O jeito como você desenha músculos é incrível! Quero ser tão bom quanto o você nisso”, mas, embora já estivesse aprendendo observando seu trabalho, também disse algo como: “Não posso simplesmente copiar seu estilo, Sensei”. Quero que as pessoas entendam como eu pensava naquela época… Eu achava que os assistentes que deixavam o estilo do estúdio modificar seu próprio estilo de desenho não eram legais. Eu não os respeitava, especialmente porque via muitos deles. Mas o senhor foi muito gentil comigo. Não ficou bravo, apenas disse: “Olhe isto e pratique”, e me entregou um livro sobre fisiculturistas.

Tokuhiro: Não me lembro disso de jeito nenhum (risos).

Oda: Ainda tenho aquele livro.

Tokuhiro: Que interessante. Mas concordo com você. Se você copia seu professor, está apenas imitando-o.

Oda: Exatamente.

Tokuhiro: Você se lembra de ter vindo me pedir conselhos sobre seu próprio mangá?

Oda: Eu fiz isso?! O que perguntei?

Tokuhiro: Você disse: “Meu editor diz que estou cortando os quadros em ângulos diagonais demais, dificultando a leitura. O que devo fazer?”. Eu respondi: “Seu editor é um amador, então faça do jeito que você quiser”.

Oda: Ah, agora me lembro! Nunca voltei atrás para corrigir aquilo. Até hoje divido meus quadros da mesma maneira.

Tokuhiro: Foi a resposta certa.

Oda: Mas o que mais me surpreendeu ao trabalhar no seu estúdio foi que os desenhos a lápis já estavam prontos quando chegávamos para trabalhar. Tudo o que eu precisava fazer era passar os traços dos cenários. Ninguém faz isso.

Tokuhiro: Em Komon-sama, há cenas de luta em grupo, e eu desenhava todas elas. Sabe aqueles personagens minúsculos, do tamanho de um grão de arroz? Eu também desenhava todos eles (risos).

Oda: Entendo esse desejo.

Tokuhiro: São justamente os personagens menores que você não quer deixar outra pessoa desenhar, certo?

Oda: Exatamente. Não quero deixar nem um único detalhe nas mãos de outra pessoa.

Tokuhiro: Quanto menor é alguma coisa, mais diferente ela fica quando outra pessoa a desenha. Quanto menor é, mais você quer desenhá-la por conta própria. O quanto você desenha sozinho, Oda?

Oda: Desenho tudo o que está vivo. Também tudo o que está em movimento, como as ondas e as nuvens. Dei continuidade ao seu legado, Tokuhiro Sensei.

Tokuhiro: Tenho a impressão de que os editores me consideram o sujeito que vai ensinar lições às crianças mostrando a elas o que não devem fazer.

Oda: Não é verdade! Naquela época, eu disse algo como: “É incrível como tantos aspectos do personagem estão contidos nos menores detalhes”, e o senhor me respondeu: “Se você colocar muitos detalhes, as pessoas vão percebê-los”. Sempre guardei essas palavras com muito carinho.

Tokuhiro: Sim, e foi por isso que acabei desenvolvendo tendinite. Quando estava desenhando KyoshiroKyoshiroO título completo é Kyoshiro 2030, publicado na Super Jump de 1997 a 2004. Um hard sci-fi que se passa em um futuro próximo no Japão pós terceira guerra mundial, que está sob um sufocante sistema. O protagonista Kyoshiro conhece uma mulher chamada Shino através de uma máquina virtual e parte em uma perigosa jornada para conhecê-la pessoalmente., não conseguia segurar a caneta direito nem desenhar círculos. Então, não pude mais usar a G-pPen e passei a usar canetas esferográficas chamadas Hi-Tec, com pontas de 0,3 e 0,2 milímetro. Isso fez meu calo desaparecer.

Oda: Por mais que eu tente, nunca consigo desenvolver um calo. Minhas mãos são muito macias. Sei que estou submetendo-as a um esforço enorme, mas nunca sinto isso na pele (risos).

Moderador: Tokuhiro Sensei, o senhor é conhecido por desenhar personagens musculosos, é claro, mas também mulheres sensuais. Como desenha os seios delas, em particular?

Tokuhiro: Quando minha mão começou a apresentar problemas, por volta da época de Fugu-ManFugu-ManUm mangá serializado na Super Jump de 2008 a 2010. Um pesquisador chamado Toranosuke Takeda se submete a uma cirurgia reconstrutiva genética e se torna um Homem Fungo com propriedades tóxicas. De repente, mulheres começam a achar ele irressistível, mas é muito difícil para ele ter contato físico com qualquer pessoa de maneira segura., passei a usar uma régua. Sabe aquelas réguas que têm círculos de vários tamanhos recortados no interior? Eu a posicionava sobre o papel e desenhava as curvas. Quando terminei VampireVampireDuas séries chamadas Showa Immortal Legend Vampire e Near Future Immortal Legend Vampire, lançadas em Super Jump de 2005 a 2006 e de 2006 a 2008. É a história de Maria, uma vampira imortal, e Shohei Honda, um garoto com poderes psíquicos que a ama. Os dois tem que enfrentar a organização secreta Bhikkhuni Club, que procura o poder da imortalidade, e a Maria Society liderada por Atsuhiko Jumonji. De acordo com Tokuhiro Sensei, “O maior rival de Vampire era Kyoshiro. Foi muito difícil superar meu eu do passado., meu controle da mão estava simplesmente lamentável, então precisei fazer essa mudança.

Oda: Mas os peitos ficam incríveis quando vemos a página finalizada. As mulheres dele são muito sensuais.

Oda: O senhor ainda pega edições da Jump para ver o que está acontecendo hoje em dia?

Tokuhiro: Quase nunca leio mangás. Se você lê mangás para desenhar mangás, não vai produzir nada de bom. Por isso, assisto a filmes que as pessoas consideram clássicos. Foi assim que você teve a ideia de começar One Piece, não foi? Eu sei disso (risos).

Oda: (risos) Admito que, quando estou criando mangás, tiro muita inspiração dos filmes.

Tokuhiro: Se voltarmos ao início, Kyoshiro era simplesmente Romeu e Julieta. Você só precisa de um instante. Basta uma pequena faísca de inspiração que lhe pareça interessante, e ela pode se transformar na próxima grande ideia para o seu mangá.

Oda: Há muito tempo, o senhor comentou que “existem apenas alguns padrões diferentes de histórias no mundo”. Aquilo me chocou. Pensei: isso não pode ser verdade. Mas, conforme fui envelhecendo, comecei a entender o que o senhor queria dizer. Existem tantas histórias quanto estrelas no céu, mas apenas algumas fundamentais que realmente encantam as pessoas. Para me preparar para esta conversa, voltei a ler muitas de suas obras… e ainda acho que a que mais me influenciou foi Ken-chan Chako-chanKen-chan Chako-chanO título completo é Fundoshi Detectives Ken-chan Chako-chan, lançado na Super Jump de 1986 a 1990. Uma história sobre um detetive veterano e gay chamado Jiro Kenzaki (Ken-chan) e seu recruta entusiasmado Shiro Chaya (Chako-chan). O primeiro mangá seinen de Tokuhiro Sensei..

Tokuhiro: É surpreendente quantas pessoas gostam daquela obra.

Oda: Cada capítulo é como um filme próprio, e todos continuam sendo clássicos até hoje. Acho inacreditável que o senhor estivesse desenhando aquilo ao mesmo tempo que Tar-chan.

Tokuhiro: Depois que Tafel AnatomikoTafel AnatomikoUm mangá lançado na Weekly Shonen Jump em 1986. Uma série de comédia sobre Tomiko Kameda, a filha de um doutor, e Kuya Tendo, o filho de um monge budista terminou, eu desenhava aquela obra enquanto esperava pela minha próxima série semanal. Mas você tem razão: mais tarde, trabalhei nela ao mesmo tempo que Tar-chan.

Oda: Não consigo alternar entre duas coisas na cabeça dessa maneira. Naquela época, comprei Ken-chan Chako-chan como leitor, especialmente por causa das partes pervertidas. Mas, depois que comecei a ler, passei a me interessar pela construção da história, que é fascinante. O trabalho de câmera é intrigante, e usei a obra como uma das principais referências quando comecei One Piece. Pensei: “É isso!”. Fiquei impressionado com a maneira como o senhor conseguia colocar a câmera diretamente dentro do drama, capturando e retratando as emoções dessa forma. Nossa, hoje só estou fazendo elogios! (risos)

Tokuhiro: Você acha mesmo?

Oda: Tenho certeza. E isso acontece porque o senhor é um grande cinéfilo.

Oda: Certo, acho que finalmente devo tocar neste assunto… Há algo que sempre ficou pesando na minha consciência. O senhor se lembra deste quadrodeste quadroUm painel do volume final de New King of the Jungle Tar-chan. Tokuhiro Sensei pediu para seu assistente na época, Oda Sensei, para desenhar uma cena com pessoas de todo o mundo. Tokuhiro Sensei nunca deixa seus assistentes desenharem personagens de fundo, então foi uma oportunidade rara e de prestígio que Oda Sensei levou muito a sério. Mais tarde ele disse: “Sempre foi um fardo pra mim que eu entreguei esse quadro sem perceber a grande falha no jeito que eu desenhei ele.”?

Tokuhiro: Ah, foi você quem desenhou esse, não foi?

Oda: Foi um quadro que o senhor confiou muito a mim para desenhar, e fiquei muito feliz em fazê-lo. Mas, quando vi o resultado final, o senhor me perguntou: “O quê? Não ficou bom o suficiente?”. No fim, o desenho foi utilizado, mas, quando o vi nas páginas da Jump algum tempo depois, senti um arrepio desagradável percorrer minhas costas. Todos os rostos tinham o mesmo formato.

Tokuhiro: Quando você desenha uma multidão e os rostos são minúsculos, precisa distorcer as proporções para que fiquem diferentes.

Oda: Lembro exatamente do que estava fazendo quando desenhei aquilo. O contorno era o mesmo para absolutamente todas as pessoas.

Tokuhiro: Então todas vão parecer iguais. (risos)

Oda: E era exatamente isso que eu fazia em todos os meus mangás até aquele momento. Percebi que não estava diferenciando as silhuetas dos personagens. Fiquei profundamente arrependido. Como pude fazer aquilo com uma cena tão importante de uma história tão preciosa para o senhor? E nunca consegui dizer isso antes…

Tokuhiro: Nesse caso, hoje eu o perdoo. (risos)

Oda: Obrigado. Finalmente tirei esse peso do peito… De qualquer forma, mudei muito depois daquele dia. Passei a desenhar contornos faciais diferentes e a praticar para criar personagens com aparências distintas. Acho que foi graças àquele único quadro que existe o One Piece de hoje.

Tokuhiro: Existem pessoas que refletem sobre seus erros e tentam melhorar, e existem aquelas que não fazem isso. Você fez isso, Oda. As pessoas comuns não fazem. Quando percebeu que havia um problema, escolheu o caminho do sucesso em vez do fracasso.

Oda: Para mim, o fato de o senhor ter aceitado meu trabalho naquele quadro é algo pelo qual sou grato e também representa uma enorme virada na minha vida. Por outro lado, levei essa lição longe demais. Talvez hoje eu esteja exagerando, mas foi naquele momento que o senhor me ensinou a importância de enxergar os personagens como silhuetas.

Tokuhiro: Fico feliz em ouvir isso, seja verdade ou não.

Oda: É absolutamente verdade.

Tokuhiro: Admito que você continua me enviando presentes nas festas de fim de ano todos os anos. (risos)

Oda: Vou enviá-los pelo resto da minha vida. (risos)


Entrevista traduzida do texto originalmente publicada em One Piece Color Walk Compendium: New World to Wano Volume 3